2019 - Liga de Medicina Clínica - Universidade Federal do Ceará

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Massa Cervical

J.V.S, 58 anos, masculino, fazendeiro, buscou atendimento médico com uma história de rouquidão progressiva e massa cervical a esquerda. Nega disfagia, regurgitação e dispneia. Também nega tabagismo.

Ao exame físico, apresentava massa cervical à esquerda, compressível e não aderida a planos. Era possível fazer a transluminação da lesão, que se acentuava ao solicitar que o paciente realizasse a manobra de Valsalva.

1)Quais os principais hipóteses diagnósticas para essa massa cervical?

2)Quais exames complementares você solicitaria para realizar o diagnóstico?

Imagem da Semana 28.png

Laringocele

A Laringocele é causada pela dilatação do ventrículo da laringe, cavidade anatômica localizada entre as pregas vocais e as pregas vestibulares(prega vocal falsa) bilateralmente. Essa condição é mais comumente observada em homens na sexta década de vida.

A etiopatogenia dessa condição ainda não foi totalmente elucidada, mas parecem ter aspectos congênitos e adquiridos envolvidos. Sugere-se que ela resulta de atividades que aumentam o a pressão no espaço intralaríngeo, como por tosse crônica e tocar instrumentos de sopro.

A laringocele pode ser ainda dividida em 3 tipos. A interna, quando a dilatação acomoda-se na laringe, podendo obstruí-la e apresentando-se clinicamente como sensação de corpo estranho, disfonia, dispneia. O tipo externo acontece quando a dilatação evagina-se para fora da laringe através da membranda tireohiodea, podendo se manifestar clinicamente como massa cervical indolor e flutuante, anteriormente ao músculo esternocleidomastoideo e inferiormente ao músculo digástrico, como a do paciente do caso apresentado, Vale ressaltar ainda, que a o aumento da massa à manobra de Valsalva se deve pelo aumento da pressão abdominal que aumentará a pressão intratorácica, deslocando o ar para dentro da dilatação ventricular. O tipo misto, como o nome sugere, apresenta comemorativo de ambos os tipos já abordados e é a variante mais comum da laringocele.

Na tomografia computadorizada, nota-se uma massa bem delimitada com ar ou fluido em seu interior, bem como revela sua comunicação com o ventrículo da laringe. O exame de imgem também define o tipo de laringocele, sua extensão, e, principalmente, a algum fator que aponte para neoplasia de laringe. Esse câncer é classicamente associado com a existência de laringocele.

Os principais diagnósticos diferenciais são abcesso, linfadenopatia, cisto sacular, cisto branquial e cisto do ducto tireoglosso. Algumas possíveis complicações da laringocele são pneumonia, laringopiocele e obstrução de vias aéreas.

A conduta terapéutica vai depender principalmentte do tamanho da lesão. Laringoceles de pequenas dimensões podem ser ressecadas endoscopicamente com laser. Por outro lado, sugere-se que grandes laringoceles sejam alvo de uma abordagem cirúrgica externa.

Quanto ao caso abordado, o paciente foi submetido a radiografia e tomografia posteriormente. Ambas mostraram uma estrutura lobular bem delimitada localizada no espaço paralaríngeo esquerdo com extensão através da membranda tireohiodea. O paciente foi submetido a ressecção da laringocele, seguiu assintomático no acompanhamento durante 8 meses.

 

REFERÊNCIAS:

         

  1. OUKESSOU, Y. et al. Laryngocele: An unusual presentation. 2015.

  2. SINGH, Chirom A.; SAKTHIVEL, Pirabu. Laryngocele. New England Journal of Medicine, v. 379, n. 23, p. e40, 2018.