2019 - Liga de Medicina Clínica - Universidade Federal do Ceará

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Lombalgia, dispneia e emagrecimento

Paciente masculino, 54 anos, comparece à unidade hospitalar queixando-se de dor lombar, dispneia aos médios esforços, palpitações e emagrecimento de 11 kg nos últimos 6 meses. Ao exame, apresenta ventrículo direito (VD) palpável ao nível da borda esternal esquerda inferior e sopro sistólico ejetivo mais audível em foco pulmonar e também em borda esternal esquerda inferior. Realizada a ressonância magnética apresentada abaixo.

Qual o provável diagnóstico?

 

O paciente apresenta endocardite fúngica. Essa é uma condição rara que geralmente decorre de infecções disseminadas, especialmente em pacientes imunossuprimidos. À ressonância magnética (RM), há intensidade de sinal em T1 e pouca captação do gadolínio. História de histoplasmose pulmonar, acometimento hepático e formato arredondado da lesão (bola fúngica) corroboram a hipótese de infecção fúngica disseminada. O paciente em questão havia sido diagnosticado com histoplasmose pulmonar cerca de 5 anos antes, com sorologia para HIV negativa e foi tratado com anfotericina B. O diagnóstico da endocardite por Histoplasma fundamenta-se nos mesmos parâmetros usados para a endocardite infecciosa, denominados critérios de Duke. Esses critérios baseiam-se na presença de hemoculturas positiva (embora essas sejam menos frequentes nos casos de histoplasmose), achados ecocardiográficos sugestivos e confirmação histopatológica. A abordagem terapêutica para esses pacientes ainda não está definida claramente, mas o tratamento de escolha sugerido é a troca cirúrgica da valva acometida associada a altas doses de anfotericina B.