2019 - Liga de Medicina Clínica - Universidade Federal do Ceará

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O Fígado Crescido

Mulher de 39 anos foi admitida no hospital com história de icterícia, prurido e desconforto no quadrante superior direito de 1 mês.Ela relatou febre intermitente, náuseas, diminuição do apetite, e escurecimento da sua urina 2 semanas antes da admissão.

Exames laboratoriais revelaram anemia, leucocitose, fosfatase alcalina, AST, bilirrubina total e tempo de protrombina amentados, com diminuição do nível de albumina do soro.Creatinina sérica e uréia foram normal; urinálise não revelou sangue ou leucócitos.

O US do abdômen revelou hepatoesplenomegalia (fígado medido 18 cm e baço medido, de 13 cm), sem evidência de intra-hepática ou extra-hepática biliar dilatação, cirrose ou ascite.Nos rins não havia evidências de hidronefrose, cálculos renais, ou massas.

Foi solicitado uma tc de abdome (Reproduzida abaixo) que mostrou uma hepatomegalia como única alteração no fígado.

 

A partir do breve relato e dos exames complementares, qual as hipóteses para o caso?

 

Observando a tomografia, nota-se uma massa na região anterior do pólo superior do rim esquerdo. A associação desse achado com uma história de alterações de enzimas hepáticas, sem que haja obstrução das vias biliares ou metástase, suscita a hipótese de Síndrome de Stauffer ou Síndrome de disfunção hepática nefrogênica não metastática, que é uma manifestação paraneoplásica do carcinoma de células renais caracterizada pelo aumento de: fosfatase alcalina, taxa de sedimentação de eritrócitos, α-2-globulina e γ-glutamil transferase; trombocitose; prolongamento do tempo de protrombina e hepatoesplenomegalia. Na maioria das vezes, o quadro colestático não é associado à icterícia (No caso supracitado, há uma rara variante que cursa com icterícia). Vale ressaltar que após a retira do tumor há resolução do quadro.

Extra: Síndromes Paraneoplásicas associadas ao Carcinoma de Células Renais